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18/10/2018 - ProcelInfo

Com plano estratégico, Oi evita gasto de R$ 1 bi com energia elétrica

Operadora de telecomunicações investe em energia fotovoltaica com a construção de fazendas solares; empresa estima economizar R$ 428 milhões até 2019 com investimentos voltados à eficiência energética
Desde 2014 o Brasil vem enfrentando uma série de reajustes na tarifa de energia elétrica, causados, entre outros fatores, por questões climáticas, geopolíticas e pelo aumento de impostos e encargos que incidem sobre a conta de luz. Só neste ano, os aumentos autorizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para as distribuidoras acumulam alta de cerca de 20%. Além de ter se tornado uma vilã das despesas residenciais, a conta de energia tem onerado significativamente o orçamento de grande parte das empresas brasileiras. No setor de serviços e na indústria, a média do gasto com energia já chega a 30% de todas as despesas. E a perspectiva para os próximos meses não é nada promissora. Autoridades do setor indicam que a bandeira tarifária deve continuar vermelha até o fim do ano.

Diante desse cenário, a solução tem sido buscar novas alternativas para diminuir o gasto e, dessa forma, garantir a eficiência operacional. Uma das opções mais recorrentes é o uso de energia derivada de fontes renováveis, que unem a economia financeira à sustentabilidade. Nesse contexto, começam a despontar no país investimentos em energia solar fotovoltaica, feitos principalmente por empresas de grande porte.

A tendência tem sido adotada por companhias do setor de telecomunicações, que visam diminuir o grande dispêndio de energia necessária para suas operações. A operadora Oi, que oferece serviços como telefonia fixa e móvel, TV por assinatura e internet em todo território nacional, é uma das que estão investindo no ramo. Em processo de recuperação judicial, a companhia vem promovendo mudanças que visam a redução dos gastos com energia em seus prédios e sistemas de distribuição pelo país, conforme explica o diretor de Patrimônio e Energia, Marco Antonio Vilela.

"O serviço que oferecemos é altamente dependente de energia elétrica e, portanto, a gestão do consumo de energia desempenha um papel estratégico. Possuímos cerca de 65 mil unidades de consumo de energia, o que representaria um gasto de mais de R$ 1 bilhão a cada ano caso as medidas de eficiência energética não fossem implantadas. Com o expressivo aumento no custo de energia elétrica no país, é essencial que essa despesa seja replanejada", afirma.

Uma das mais recentes ações da Oi nesse sentido foi o investimento de R$ 30 milhões na construção de duas fazendas solares no norte de Minas Gerais. Os sistemas, assim chamados por se referirem a painéis fotovoltaicos instalados em área rural, estão em fase de construção nos municípios de Capitão Enéas e Janaúba. Cada usina contará com potência de 5MW e vai produzir energia para mais de mil unidades da Oi. Juntas, as instalações serão responsáveis por gerar 1,7 GWh por mês, o equivalente ao consumo mensal de cerca de 10 mil residências. A produção das fazendas será usada para compensar o consumo de um grupo de unidades de baixa tensão no estado. A previsão é que entrem em operação no final deste ano.
Com a substituição da matriz energética na região, a empresa estima uma economia média de energia de 20% durante o período de vida útil dos sistemas, que é de 15 a 20 anos. Além dos dois empreendimentos, a Oi planeja iniciar a construção de outras 15 fazendas solares no próximo ano, em locais ainda a serem definidos. Para a operadora, o projeto representa mais do que economia com as despesas de energia, mas uma forma de garantir um planejamento mais eficiente desses gastos. Ao diversificar o consumo, a Oi também espera diminuir os impactos da sua operação no meio ambiente.

"O objetivo do nosso projeto de geração distribuída é reduzir o custo da energia através da implantação de empreendimentos fotovoltaicos ou de outras fontes e da utilização de créditos de energia em unidades do Grupo B. Essa iniciativa viabiliza uma maior previsibilidade no custo de energia e uma menor exposição a variações de bandeiras tarifárias. Além disso, cada uma dessas usinas evita 870 toneladas de emissões de CO2 a cada ano", ressalta Vilela.

Modernizando para economizar

Paralelamente ao projeto de implantação das fazendas solares, a Oi também realiza, junto à Enel X, um trabalho de reestruturação de seus prédios, visando diminuir o consumo de energia. A parceria entre a operadora e a empresa do Grupo Enel, voltada para soluções em energia, é feita por meio de um contrato de performance de quatro anos, modalidade por meio da qual a remuneração pelo serviço está diretamente condicionada à economia obtida na prática.

No total, 57 prédios da companhia, localizados no Rio de Janeiro e no Ceará, tiveram pontos de iluminação convencional substituídos por lâmpadas do tipo LED. De acordo com a Enel X, a modernização vai gerar uma economia estimada em 432 MWh/ano; o que representa a redução de 56,5% do consumo dos prédios. A mudança também diminui os gastos com manutenção, uma vez que esse tipo de lâmpada tem um tempo de vida útil maior. No total, a economia mensal, segundo a empresa, pode chegar a cerca de R$ 220 mil.
A primeira fase do projeto inclui ainda os estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná. A intenção da operadora é que a segunda etapa inclua unidades de quase todos os estados do país.

Planejamento estratégico

A construção das fazendas solares e a modernização dos prédios pela Oi são parte de um conjunto de ações que integram o Programa de Planejamento Energético (PPE) da empresa. O programa vem sendo desenvolvido desde julho de 2015 e, segundo a companhia, surgiu da necessidade de adequação do negócio ao cenário no qual o gasto com eletricidade é cada vez maior. Por meio desse planejamento, a Oi vem promovendo mudanças que contemplam não somente sua operação, mas que mudam a própria postura da empresa em relação ao uso de energia.

"O PPE é composto de diversas frentes, entre as quais podemos destacar: iluminação, climatização, processos e hábitos, geração distribuída, migração para o mercado livre, revisão tarifária, e Total Cost of Ownership (TCO). Além da implementação de mudanças na cultura empresarial, com o uso mais consciente da energia", explica Marco Antonio Vilela, destacando que o orçamento estimado para este ano é de até R$ 44 milhões.

Segundo o diretor de Patrimônio e Energia, uma das ações que estão sendo colocadas em prática é o monitoramento em tempo real das 200 maiores unidades consumidoras de energia, que representam 38% do gasto total da companhia. A iniciativa tem permitido, por exemplo, a redefinição de estratégias de uso de climatização, mudança que já tem representado economia para a empresa em um curto espaço de tempo. Com a adoção dessas práticas e diversificação das fontes de consumo, a estimativa da empresa é economizar R$ 428 milhões com essas despesas e aumentar em 42,5% o percentual de consumo de energia limpa até o final do ciclo do programa, em 2019.




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